Uncategorized – Incigap https://incigap.com.br Incigap - Instituto de Cirurgia e Gastroenterologia do Paraná -  (41) 3244-6677 Wed, 19 Dec 2018 17:44:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.6.2 Cuidado nunca é demais! https://incigap.com.br/cuidado-nunca-e-demais/ Fri, 31 Aug 2018 15:42:32 +0000 http://incigap.com.br/?p=421 Cedo ou tarde nossos familiares envelhecem e nos deparamos com uma inversão de papeis: de protegidos a protetores. Em algum momento precisarão de auxílio nas tarefas diárias e na organização de suas rotinas. Quando devemos assumir esse papel? A situação é delicada para ambos, pois a percepção da finitude da vida assusta pais e filhos. Alguns se tornam dependentes e precisam ser cuidados em tempo integral, porém outros são ativos, ainda trabalham e são capazes de gerenciar suas vidas. Entretanto o conhecimento do processo de envelhecimento pode nos ajudar a compreender sinais de dependência e estabelecer proximidade preservando a privacidade e autonomia. Difícil não é mesmo? Como manter esse “cuidado à distância”?

Na rotina do consultório nos deparamos com dificuldades dos cuidadores a respeito do dia a dia de seus idosos. Como médicos, enfrentamos também grandes desafios! O idoso tem autonomia para ir às consultas sozinho? Sabe informar adequadamente sua condição clínica? Como a família poderia auxiliá-lo levando em consideração que superproteção envelhece e adoece? Grande parte dos problemas se resolve com comunicação eficaz: família-idoso- profissionais da saúde. A escuta atenta, interessada, respeitando as diferenças sem desqualificar as queixas. Para prestarmos atendimento integral e de qualidade a participação da família é essencial, pois precisamos avaliar queixas imediatas e também considerar fatos e situações sociais, econômicas, familiares e emocionais.

A família pode auxiliar verificando se a rotina dos idosos é saudável: hábitos alimentares e de higiene, se a medicação prescrita está sendo usada de forma adequada, propiciando momentos de lazer e incentivando a prática de atividade física.

E quanto às consultas médicas? Como agir? Devemos interferir mesmo que nossos idosos sejam independentes?

Sim! Podemos ajudar oferecendo ferramentas para que a comunicação com o médico seja satisfatória. Tabelas em letras grandes colada local visível, por exemplo, ajuda na organização de horários de medicamentos e atividades diárias. Manter lista atualizada de medicamentos com posologia e modo de usar que possa ser carregada na carteira também é fundamental. A maior dificuldade que temos no consultório é tentar descobrir qual é o “comprimido pequeno e amarelinho” tomado todos os dias, a demora em obtermos essa informação gera angústia e impotência no paciente que se percebe inapto a informar sobre si mesmo. Esta semana atendi uma senhora de 80 anos muito simpática, toda falante e independente, quando perguntei quais os medicamentos que usava fui surpreendida por uma tabela plastificada caprichosamente elaborada. Cheia de orgulho explicou que uma das filhas organiza e atualiza frequentemente mantendo no verso os telefones importantes de parentes próximos, médicos, emergência, etc. Quanto carinho e cuidado numa ação tão simples! A paciente, muito lúcida e ativa, talvez pudesse lembrar sozinha de todos os seus medicamentos, cirurgias a que foi submetida e médicos que a acompanham, mas certamente sente-se mais segura carregando consigo as informações escritas.

O papel da família é dar acesso, encontrar uma solução criando condições adequadas para envelhecimento com autonomia e qualidade.

]]>
421
ENDOMETRIOSE, E AGORA? https://incigap.com.br/endometriose-e-agora/ Fri, 31 Aug 2018 14:25:45 +0000 http://incigap.com.br/?p=411 Foram décadas de luta para que as mulheres adquirissem o direito de retardar a maternidade, investir na carreira e escolher com quem, como (e se) querem casar. Demorou, mas a sociedade parece ter entendido – só que a natureza não. Nada menos que 6 milhões de brasileiras têm endometriose, a chamada “doença da mulher moderna”. Ela acomete principalmente mulheres por volta dos 30 anos, que ainda não têm filhos, trabalham muito e vivem em grandes centros urbanos. O mais assustador é que ela é, hoje, a principal causa da infertilidade feminina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endometriose 53% das brasileiras desconhece a doença. Muitas mulheres fazem cirurgia sem saber ao certo o que é essa doença. O desconhecimento do quadro se dá também entre os médicos. “Uma paciente com endometriose passa, em média, por cinco ginecologistas e demora entre sete e dez anos para conseguir diagnóstico e tratamento corretos”, afirma o ginecologista Sérgio Podgaec, presidente da Comissão Especializada em Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia). Isso porque a ideia de que “ter cólica é normal” ainda predomina.

Afinal, o que é exatamente a endometriose?

O Dr. Leonardo Benedetti, Ginecologista e obstetra especialista em endometriose explica que a endometriose ocorre como resultado de um processo chamado menstruação retrógrada, no qual parte do fluxo menstrual percorre as tubas uterinas em direção à cavidade pélvica. Isso faz com que algumas células do endométrio (tecido que reveste o útero) cheguem à cavidade abdominal e pélvica e se instalem nas tubas uterinas, ovários, bexiga, intestino e outros órgãos.

O Dr. Benedetti ressalta que muitos fatores estão associados a endometriose inclusive predisposição genética. Uma mulher cuja mãe ou irmã tem endometriose apresenta seis vezes mais probabilidade de desenvolver a doença do que as mulheres em geral. Outros possíveis fatores de risco: Começar a menstruar muito cedo, nunca ter tido filhos, ciclos menstruais freqüentes, menstruações que duram sete dias ou mais.

O principal sintoma na endometriose é a cólica menstrual, também chamada de dismenorréia. As cólicas geralmente são intensas e progressivas, ou seja, a mulher precisa cada vez de mais remédios analgésicos para conviver com ela.

A dor durante a relação sexual também é um sintoma frequente e em algumas mulheres impossibilita a atividade sexual. Outro sintoma comum é a infertilidade: 30% das mulheres com infertilidade têm a endometriose como causa principal. Além dos sintomas ginecológicos as portadoras de endometriose podem apresentar intestino preso, sangramento nas fezes ou na urina, alterações de sono e até mesmo depressão. Toda essa sintomatologia costuma prejudicar a vida social, familiar e certamente tem impacto negativo no trabalho.

O diagnóstico da endometriose é difícil e envolve exames de imagem, laboratório e até mesmo laparoscopia.

“Segundo Dr. Benedetti não há um tratamento padrão, cada paciente deve ser avaliada forma única, sua história, idade e desejo reprodutivo imediato ou tardio vão permitir ao médico propor o tratamento ideal: medicamentoso ou cirúrgico. É fundamental que após tratamento a paciente faça um seguimento rigoroso com seu médico, pois quem desenvolve endometriose uma vez tem alta chance de apresentá-la novamente. Para evitar que isso aconteça, utilizamos o que chamamos de prevenção secundária para endometriose cujo objetivo é bloquear a menstruação.

A Nutricionista Thaisa Stavitzki alerta que alguns estudos sugerem que uma dieta equilibrada ajuda a controlar os sintomas da doença, fortalecendo o sistema imunológico e reduzindo a inflamação.

Dessa forma, durante o tratamento da endometriose, é importante evitar:

-Produtos industrializados, muito processados e lotados de aditivos químicos.

-Açúcar, doces em geral, produtos feitos a partir de carboidratos refinados (muito

-Gordura hidrogenada ou trans presente em produtos industrializados (margarinas, bolachas,

Nessa fase, recomenda-se a ingestão de alimentos ricos em ômega 3, vitamina C, Vitamina E, Frutas, verduras, selênio (castanha do Brasil, alho, cebola, milho, nozes), polifenóis (uva, jabuticaba e frutas vermelhas em geral), EGCG (Chá verde), azeite de oliva, vitaminas do complexo B. processados e pobre em fibras) e adoçantes artificiais;

Para aquelas mulheres que tem seu diagnóstico confirmado e iniciam essa difícil caminhada o Dr. Benedetti recomenda que conheçam o GAPENDI – Grupo de Apoio às Portadoras de Endometriose e Infertilidade, idealizado e formado por pacientes que sabem bem como é conviver com uma doença tão dolorosa, enigmática e difícil de tratar. Todas as participantes vivenciaram (e ainda vivenciam) as dores que a Endometriose causa, tanto físicas quanto emocionais. Porém, ao se unirem, percebem que a amizade e o apoio mútuo podem fazer toda a diferença nesta árdua jornada.

]]>
411
De médico e de louco… https://incigap.com.br/de-medico-e-de-louco/ Fri, 31 Aug 2018 14:11:31 +0000 http://incigap.com.br/?p=408 Quem nunca indicou medicamento para a vizinha? Nunca deu palpite no tratamento da amiga? Essa prática “inocente” e muito comum em nosso país é considerada um problema de saúde pública e pode trazer conseqüências graves. Segundo a Organização Mundial de saúde o uso indevido de medicamentos é principal causa de intoxicação no país, superando produtos de limpeza, agrotóxicos e alimentos estragados.

Você sabia que a palavra farmácia vem do grego pharmakón e significa remédio ou veneno? Muitas vezes depende somente da dose!

O primeiro passo para um tratamento adequado é o diagnóstico preciso. No caso da automedicação busca-se alívio imediato dos sintomas sem se preocupar com a causa. Com isso a doença pode ser mascarada tornando o diagnóstico mais difícil e comprometendo o tratamento, Algumas classes de medicamentos como os antibióticos são ainda mais preocupantes, pois o organismo pode se “acostumar” a droga que acaba por perder efeito.

Além de identificar a doença o médico irá indicar o medicamento com menor risco-benefício, prescrevendo a dose adequada, horários corretos e tempo de tratamento suficiente. Pacientes crônicos ou que usam diversos medicamentos correm o risco de interação medicamentosa, ou seja, quando um medicamento anula ou potencializa a ação de outro. Além dessas complicações pode ocorrer reação alérgica, dependência e até a morte.  Portanto não esqueça que crianças, idosos e gestantes demandam ainda mais cuidados, e não devem jamais usar medicação sem prescrição médica.

 

 

]]>
408
Menstruação: Incomodada ficava sua avó! https://incigap.com.br/menstruacao-incomodada-ficava-sua-avo/ Fri, 31 Aug 2018 12:59:24 +0000 http://incigap.com.br/?p=401 Incomodada ficava sua avó!

Cólicas, mal estar, menstruação, TPM… Durante muito tempo esse assunto foi considerado tabu e a maioria das mulheres ignorava o que acontecia em seu corpo. A busca pela independência feminina abriu espaço para o desenvolvimento de produtos que aliassem praticidade e conforto permitindo a execução das atividades diárias durante o período menstrual. Afinal, ficar isolada da sociedade sentada em um “ninho” como as indígenas não dá, né?

Ao longo da evolução as mulheres já usaram de tudo: papel, toalhinhas de pano, rolinho de ervas, bolinhas de lã, tufos de grama, etc. Imagine a situação desses tataravôs dos absorventes com as condições de higiene que tínhamos na Idade Média! Na época de nossas avós as toalhinhas higiênicas constrangedoramente enfeitavam os varais todos os meses. Fico pensando como viajavam “naqueles dias”…

Com o surgimento dos absorventes descartáveis houve uma revolução nos hábitos de higiene feminina. Todas lembram da frase: Incomodada ficava sua avó! Será mesmo? Hoje podemos escolher, mas sabemos qual a melhor opção?  Vocês já pararam para pensar quanta novidade há nesse segmento?

Esses dias no Clube da Alice vi uma discussão sobre vantagens e desvantagens dos absorventes, coletores, etc. A conversa era cheia de curiosidade, informações incompletas e muitas dúvidas. Percebi que eu também desconhecia parte dos absorventes discutidos. Resolvi conversar com Dr. Leonardo Benedetti, ginecologista e obstetra do INCIGAP – Instituto de Cirurgia e Gastroenterologia do Paraná que trouxe informações concretas sobre as opções do mercado.

Atualmente encontramos no mercado absorvente interno (para uso menstrual) e externo. Os externos podem ser usados durante a menstruação (não respiráveis) e existem também os de uso diário (respiráveis), fora do período menstrual. Estes últimos têm como função principal absorver os líquidos vaginais e vulvares para não manchar as roupas e não deixar a pele da vulva úmida.

“Os absorventes não respiráveis têm uma película plástica na sua parte externa, para impedir que o sangue manche a roupa, isso pode elevar a temperatura da região genital e aumentar a umidade da pele, quando não trocados frequência adequada podem causar maceração da pele e aumento no numero de bactérias e, consequentemente, odor desagradável.  A troca constante é fundamental, principalmente nas mulheres que apresentam algum tipo de sensibilidade local, para estas o uso do absorvente interno pode trazer maior benefício, considerando que mantém a pele mais seca.

Em períodos de fluxo menstrual pequeno ou nos períodos intermenstruais, o uso dos absorventes respiráveis apresenta melhor resultado, pois não eleva a temperatura local e reduz a umidade da pele vulvar, sendo particularmente adequados para mulheres obesas e/ou com perdas urinárias involuntárias.  Estes absorventes devem ser trocados a cada 4 a 6 horas.

Os absorventes devem ser escolhidos de acordo com a intensidade do fluxo menstrual, devem ter grande capacidade de absorção para manter a pele o mais seca possível e de preferência compostos por algodão. A troca do absorvente deve ser precedida pela higienização da vulva, podem utilizados lenços umedecidos ou água corrente.

“Os absorventes são fabricados com material de alta capacidade de absorção e que distribui o fluxo menstrual de maneira rápida e homogênea, atendendo várias necessidades e exigências das mulheres, desde a puberdade até a menopausa.  As brasileiras preferem absorventes externos, com abas e cobertura seca, porém os absorventes internos apresentam um crescimento em vendas, sendo as opções com aplicadores e no tamanho médio as mais procuradas. O que muitas esquecem é que o absorvente interno não deve ser usado para dormir e pode parecer incrível mais algumas se esquecem de retirá-lo!

Mulheres adoram novidades e nem mesmo os absorventes ficam fora dessa. A linha Premium apresenta dupla cobertura, design moderno e diferentes atrativos. Alguns têm microporos com rápida transferência do sangue para áreas distantes da pele, trazendo também novidade no sistema de absorção: círculos azuis absorvem o fluxo e impedem que volte á superfície.  Outros já contam com canais de absorção, cápsulas de gel e extratos naturais de camomila e Aloe Vera, para auxiliar e prevenir irritações e cuidar da pele.

No último ano, a Johnson & Johnson, lançou a tecnologia Fit, com formato de pontas estreitas na frente e atrás e um desenho anatômico, que se encaixa no corpo da mulher.

E os coletores? Vemos muitas discussões sobre coletor menstrual, mas temos informações suficientes sobre ele?

O coletor menstrual é um copo cônico de silicone hipoalergênico e antibacteriano com cerca de 5 a 6 cm de comprimento e 4 cm de maior diâmetro que, colocado no interior da vagina, serve para recolher o sangue menstrual. Por ser resistente e ao mesmo tempo flexível o coletor se adapta ao interior da cavidade vaginal, fazendo uma compressão de suas paredes, impedindo a entrada de ar e evitando vazamento menstrual. Na sua base encontra-se uma haste central com aproximadamente 2 cm, para tracioná-lo e fazer a sua retirada. Da mesma forma que o absorvente interno, evite permanecer por longos períodos com o coletor, que deve ser retirado a cada 4 a 6 horas para esvaziá-lo e higienizá-lo (lavando-o com água corrente), mesmo nos dias de menos fluxo.

O coletor não é descartável e se bem cuidado pode durar de 4 a 10 anos, e quando não estiver em uso deve ser guardado em local ventilado e fresco e sem ação direta da luz ou produtos químicos. Não é aconselhável manter relações sexuais quando o coletor estiver no interior da cavidade vaginal.

E qual é o melhor método: coletor menstrual ou absorvente interno?

O Dr. Benedetti destaca que até o  momento, não há evidências de superioridade de um método sobre o outro no que diz respeito à prevalência de infecções e sintomas urogenitais, portanto a escolha deve ser feita de acordo com a preferência individual de cada mulher.

 

]]>
401
Não a Baleia Azul! https://incigap.com.br/nao-a-baleia-azul/ Fri, 31 Aug 2018 12:44:17 +0000 http://incigap.com.br/?p=397 Nos últimos dias tivemos uma avalanche de notícias sobre o jogo “Baleia Azul”, mas afinal o que é isso?

Trata-se de um jogo mortal onde crianças e adolescentes são instigados a executar tarefas como assistir filmes de terror, ouvir músicas melancólicas, mutilar-se e ao fim de 50 dias a última e mais temida das missões: o suicídio.  Os curadores do jogo exigem provas da execução das tarefas e ameaçam os participantes que desistirem das tarefas macabras. Esse tipo de desafio existe há muitos anos, porém, com o auxílio das redes sociais, jogos online e falta de vínculo familiar vêm ganhando força e novos adeptos a cada dia.

Como mãe também fiquei muito preocupada e conversei com meus pequenos: Lara, 9 anos e Henrique, 11 anos, ambos já tinham ouvido falar do jogo e sabiam exatamente como ele acontece.  O Henrique me deu sua opinião de forma muito clara para sua pouca idade: “Existe o jogo, mas uma criança não tenta jogar se estiver feliz. Eu acho que para ser atingido psicologicamente tem que ter doença, depressão. Só o jogo não mata!” E terminou: “depressão é doença né mãe?”  Tivemos uma longa conversa sobre a diferença entre tristeza e depressão, suas causas  e consequências e fiquei me perguntando: Quantas crianças tem a oportunidade de falar abertamente com seus pais? Qual o caminho para essas crianças e adolescentes?

Segundo Dr. Antonio Carlos de Farias, neurologista infantil do Hospital Pequeno Príncipe e doutor em neurociências, somente um bom vínculo familiar pode proteger adolescentes ainda imaturos para ponderar sobre emoções.  Claro que a vulnerabilidade para ansiedade e depressão e formação de grupos pela web torna este grupo mais suscetível. Os interesses em comum “viralizam” e nas escolas, por vezes, eles são levados por colegas a participarem destes jogos macabros. É preciso incentivá-los a dizer não! Os pais necessitam dialogar de forma harmônica com os filhos. Ponderar sobre projetos de vida que podem ser interrompidos e principalmente estar atentos a falta de motivação do filho para as coisas do mundo real. As demandas virtuais não podem se sobrepor as reais, se o filho prefere a web ao almoço com a família, ao cinema com os amigos, esquece de realizar tarefas escolares, algo deve estar errado.

A Marina Vidal Stabile é psicanalista da Quinta do Sol e há 20 anos atua em consultório e instituições psiquiátricas. Ela relata que com frequência seus pacientes falam da facilidade do acesso a este universo doentio que reflete o que há de mais macabro na mente humana: exposição ao suicídio (como jogo da Baleia Azul), ao controle e sadismo (como o jogo da asfixia), ao cutting como estilo de vida, a anorexia, o uso pesado de drogas, enfim uma infinidade de produções patológicas, desagregadoras e disfuncionais. Certamente tudo muito assustador. Mas há um senão muito importante nesta história que ela gostaria muito de dividir: é fato que nesses 20 anos de experiência não viu um único caso sequer de suicídio na adolescência que não tenha, antes de acontecer efetivamente, mostrado sinais disso. Em especial, a adolescência é uma fase da vida muito marcada por intensidade emocional, dúvidas, aflições, sofrimento, confusão, mudanças importantes no corpo, na mente, nos padrões de relacionamento. Neste momento, a fragilidade emocional e a dificuldade do adolescente em encontrar alguém com quem possa realmente conversar de suas dores emocionais, sentimentos, conflitos, angústias e medos e construir um caminho consistente para manejo e superação disto tudo podem deixá-lo numa situação de vulnerabilidade.

Esta vulnerabilidade se manifesta como mudança de comportamento, isolamento social, perda de amigos, diminuição do rendimento escolar, oscilações de humor, alterações do padrão de sono entre outros. E, neste momento, uma ajuda é extremamente bem vinda!

Por isso, vale nossa velha máxima de estarmos juntos, ligados emocionalmente em nossos filhos, atentos e disponíveis para suas necessidades, construirmos pontes para diálogo franco, honesto, amoroso. Se necessário, buscarmos opinião de um especialista.   Este é o maior fator preventivo que existe, não apenas para o suicídio como também para todos os demais transtornos emocionais.
A presença de celulares e tablets em reuniões familiares, restaurantes e festas é muito preocupante. Observe a sua volta e a si mesmo!

]]>
397
Entenda a diferença entre alergias e intolerâncias alimentares https://incigap.com.br/entenda-a-diferenca-entre-alergias-e-intolerancias-alimentares/ Fri, 24 Aug 2018 14:38:58 +0000 http://incigap.com.br/?p=379 Há alguns anos, todo o mundo consumia glúten e lactose sem problemas. Crianças se tornavam adultos comendo biscoitos e tomando leite, sem qualquer restrição. Mas, de uns anos para cá, parece que a população com alergia ao glúten e com intolerância à lactose multiplicou-se exponencialmente. Não se sabe se como causa ou consequência disso, a indústria alimentícia encheu as prateleiras dos mercados com produtos sem glúten e sem lactose, que ganharam sessões e gôndolas especiais nos pontos de venda. Mas os especialistas alertam para as diferenças entre alergia e intolerância alimentar. A médica gastroenterologista cooperada da Unimed Curitiba, Danielle Kiatkoski, explica como identificar uma ou outra, quais são as alergias mais comuns, os sintomas, diagnóstico e tratamento para cada um dos casos.

Confira, abaixo, a entrevista completa com a médica.

Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

A alergia alimentar é uma resposta imunológica que ocorre após contato ou ingestão das proteínas de determinados alimentos, como leite de vaca, ovos, frutos do mar, trigo, amendoim e soja.  Já a intolerância é a carência de uma enzima que processa certos nutrientes. O exemplo mais comum é a intolerância à lactose, onde o individuo não produz lactase – enzima que catalisa a hidrólise da lactose em glicose e galactose, que faz parte da secreção intestinal e é essencial para a digestão do leite – ou a produz em menor quantidade.

O popular termo intolerância ao glúten é usado de forma equivocada. A doença celíaca é, na verdade, uma patologia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten (trigo, centeio, cevada e aveia) em indivíduos geneticamente predispostos, ou seja, com tendência ao desenvolvimento da doença.

 Os dois casos possuem os mesmos sintomas?

Não. Nas alergias, a manifestação pode acontecer de várias formas e em graus variados de intensidade, como urticária, asma, rinite, cólica e até mesmo algo mais sério, como um choque anafilático. A doença celíaca, por exemplo, pode manifestar-se em qualquer idade, predominantemente em mulheres, de três diferentes formas: típica –  diarreia, distensão abdominal, perda de peso, atrofia de musculatura glútea, inapetência, irritabilidade e anemia – , atípica – baixa estatura, anemia refratária a tratamento, osteoporose, desgaste de esmalte dos dentes, dores articulares, retardo da puberdade, irregularidade menstrual, fraqueza – e assintomática – ausência de sintomas, porém com alterações laboratoriais e na biopsia

Nas intolerâncias, os sintomas podem ser variados, desde cólica, distensão abdominal, flatulência até diarreia severa. É importante lembrar que os intolerantes à lactose, por exemplo, podem ingerir pequena quantidade sem que apresentem sintomas severos, porém para os alérgicos, uma pequena quantidade pode trazer consequências graves.

De que forma se dá o diagnóstico, tanto para alergia quanto para intolerância?

O diagnóstico de alergia alimentar é realizado por meio de histórico detalhado e complementado com testes alérgicos. A intolerância à lactose, por exemplo, é mais comumente diagnosticada com teste de sobrecarga oral.  Já a investigação da doença celíaca é feita por dosagem de anticorpos específicos e biopsia de mucosa duodenal – parte inicial do intestino delgado -, por meio de endoscopia digestiva alta. Para o diagnóstico da doença celíaca é fundamental não suspender o glúten antes da realização dos exames.

Existem tratamentos? Como eles funcionam?

Depende do caso. Na intolerância à lactose, é possível usar a lactase antes da ingestão de alimentos com lactose em sua composição, porém a quantidade de lactose tolerada é bem variável. Alguns indivíduos não conseguem digerir lactose mesmo ingerindo a lactase.

No caso da doença celíaca, é fundamental a restrição total de glúten. Não existe cura para a doença e as enzimas digestivas não protegem contra o dano intestinal. A dieta sem glúten para o celíaco não é moda, não é uma opção. “Só um pouquinho de glúten’ pode trazer transtornos enormes”.

É importante lembrar que existe uma grande diferença entre alimentos sem glúten produzidos para a “dieta da moda” e alimentos sem glúten seguros para celíacos. O alimento sem glúten pode ter sido processado no mesmo ambiente ou na mesma máquina que o sem glúten e, dessa forma, está contaminado e não é apto para celíacos. O ideal é que em casa de celíaco não entre alimentos com glúten para evitar a contaminação cruzada.  Vale lembrar que a poeira do trigo pode ficar em suspensão por até 24 horas, contaminando tudo ao seu redor. A contaminação cruzada acontece, por exemplo, quando se usa o mesmo utensílio para preparar alimentos com e sem glúten ou a mesma esponja de lavar louças.

Também é importantíssimo lembrar que celíacos com animais de estimação como cães e gatos precisam estar atentos à composição da ração, pois os animais além de nos lamberem carregam o glúten em seu pelo e o espalham pelo ambiente. Medicamentos, cosméticos e produtos de higiene com glúten em sua composição também não podem ser usados por pessoas que possuem doença celíaca.

Como as pessoas com alergias e intolerâncias devem se alimentar fora de casa?

É importante evitar a ingestão dos alimentos com as proteínas as quais possui intolerância. Ou, se consumi-los, fazer sempre o uso da enzima, conforme prescrição médica. Existem restaurantes seguros para celíacos, livres de contaminação cruzada. No site da Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar), é possível encontrar uma lista completa e sempre atualizada. Ela pode ser acessada pelo link www.acelpar.com.br.

As restrições alimentares trazem consigo muitas dúvidas, por vezes angústias e dificuldades em relação à mudança de atitude e comportamento. O apoio familiar, sentimento de pertencimento e aceitação são fundamentais para a manutenção de uma dieta livre de glúten ou lactose.

Dica – Diálogo Saudável

O programa, disponível na fanpage da Unimed Curitiba no Facebook, tem como objetivo abrir um canal de diálogo, aproximando as pessoas dos médicos para tratar de assuntos que são relevantes para o dia a dia, de uma forma mais didática e leve. Assista ao programa em www.facebook/UnimedCuritiba.

]]>
379
Manhê! Engoli uma moeda https://incigap.com.br/manhe-engoli-uma-moeda/ Sun, 03 Dec 2017 20:02:09 +0000 http://incigap.com.br/?p=129 Crianças colocam tudo que está em seu alcance direto na boca: objetos limpos, sujos, grandes e pequenos. Assim que o bebê começa a engatinhar e explorar o mundo a sua volta esse problema torna-se maior, pois os objetos encontrados podem ser engolidos (corpos estranhos).

E agora? O que fazer? É preciso correr para o hospital? Ingestão de corpos estranhos são frequentes nos Pronto-atendimentos e o número de casos aumenta durante as férias e feriados prolongados, quando as crianças ficam mais tempo em suas casas.

Muitas vezes a própria criança conta que ingeriu um corpo estranho e no caso de bebês, pacientes neurológicos, psiquiátricos ou com dificuldade de comunicação é importante observar se há aumento da salivação, dor para engolir, sangramento, náuseas ou vômito. Devemos nos certificar que o objeto não foi aspirado (está na traqueia ou pulmão) causando dificuldade respiratória, nesse caso deve-se procurar o hospital o mais rápido possível ou até mesmo chamar uma ambulância. Muitos dos objetos engolidos passam tranquilamente pelo trato digestivo, outros porém, precisam de intervenção médica, pois ficam impactados podendo causar obstrução e até mesmo perfuração.

O maior risco fica por conta das baterias, imãs e objetos cortantes que devem ser retirados imediatamente por endoscopia. As baterias “grudam” na parede do esôfago causando queimaduras graves. Em crianças entre os objetos engolidos com maior frequência estão as moedas, pequenas peças de brinquedo, tampas de caneta e pedaços de plástico. Já nos adultos predominam os corpos estranhos alimentares, fragmentos de ossos e espinhas de peixe. Isso acontece por dificuldade na mastigação, próteses inadequadas e até mesmo falta de atenção ao se alimentar. Quantos já engoliram o palito que sustenta um bife a rolê!

No serviço de Pronto-atendimento o paciente realiza um RX para identificar o corpo estranho e verificar a posição que ele se encontra. Se necessário é encaminhado para endoscopia digestiva para retirada. Nestes 20 e poucos anos de experiência já tive oportunidade de atender os casos mais incríveis: pacientes que engoliram pequenos gravetos, crianças que engoliram relógio, colher, sapatinhos de boneca, etc. Todo cuidado é pouco!

A prevenção sem dúvida é a medida mais importante, nunca deixe pequenos objetos ao alcance de crianças e não esqueça: sempre preste muita atenção durante as refeições.

 

]]>
129