Gastroenterologia – Incigap https://incigap.com.br Incigap - Instituto de Cirurgia e Gastroenterologia do Paraná -  (41) 3244-6677 Mon, 03 Aug 2020 14:30:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.6.2 Entenda as diferenças entre gastrite, dor de estômago e outros problemas digestivos https://incigap.com.br/entenda-as-diferencas-entre-gastrite-dor-de-estomago-e-outros-problemas-digestivos/ Mon, 03 Aug 2020 14:28:01 +0000 http://incigap.com.br/?p=539 Muito se fala da relação entre o estresse e as doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto. Mas e as doenças digestivas? Será que elas também estão ligadas ao estresse? De acordo com especialistas, existem diversas doenças que possuem a sua origem no estresse.

Certamente, todos já ouviram falar em gastrite ou má digestão. Há quem associe, inclusive, a episódios de alto estresse ou nervosismo. Em geral, a dor de estômago, azia, má digestão, enjoos e outros sintomas não são sinônimos de gastrite, mas sim de desconfortos que podem estar associados ao estresse e à má alimentação. Porém, existem outras várias doenças facilmente confundidas.

Uma delas, curiosamente, está associada ao intestino, considerado o “segundo cérebro”. Tal título deve-se ao fato do órgão possuir um sistema nervoso próprio, que libera substâncias digestivas e controla os movimentos de todo o sistema digestório. Além disso, o sistema também produz a serotonina, um neurotransmissor que causa bem-estar. Isso explica porque problemas digestivos e estresse estão intimamente ligados e ambos interagem enviando mensagens.

A médica gastroenterologista cooperada da Unimed Curitiba, Danielle Kiatkoski, destaca que a microbiota (soma de todos microrganismos que habitam o trato digestivo, composto principalmente de bactérias ‘boas ou ruins’) também está envolvida nesse processo. “Dietas ricas em gorduras aumentam as bactérias nocivas e matam as do ‘bem’, com isso há aumento da formação de gases, distensão e desconforto abdominal”, explica.

De uma forma geral, as pessoas apresentam diferentes reações ao estresse. Não existe uma regra. Porém, diarreia, perda de apetite, dor abdominal e azia são os sintomas mais comumente encontrados.

A especialista em Gastrenterologia lembra que o corpo envia sinais o tempo todo, cabe a nós interpretá-los. “Se nesse período de quarentena você estiver com sintomas digestivos como azia, dor abdominal, queimação, diarreia ou constipação, primeiro reveja sua rotina. Como está sua saúde emocional? Está adaptado as mudanças? Como pode diminuir seu estresse? Sua alimentação está adequada? Não estamos em férias, não podemos nos comportar com o se todos os dias fossem domingo. Tire um tempo para relaxar, fazer uma atividade física ou ouvir uma boa música. Lembre-se de incluir alimentos frescos em sua alimentação, não usar temperos prontos e não abusar de refrigerantes ou sucos industrializados. Prepare suas refeições e aproveite esse tempo para ficar em família, incorporando essa prática a sua nova rotina”, orienta.

A orientação é sempre procurar um médico se houver a persistência dos sintomas, sangue nas fezes, perda inexplicável de peso ou desconforto digestivo que impeça a alimentação habitual.

 

Créditos: Revista Top View

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Diverticulite ou Diverticulose? O que tenho afinal? https://incigap.com.br/diverticulite-ou-diverticulose-o-que-tenho-afinal/ Tue, 04 Sep 2018 14:43:36 +0000 http://incigap.com.br/?p=426 Muitos mitos e dúvidas acompanham o diagnóstico de Doença Diverticular, que problema de saúde é esse?

Divertículos são pequenos sacos que podem aparecer ao longo do tubo digestivo. Em grande parte dos pacientes a presença de divertículos é assintomática e o diagnóstico só é realizado em investigação de rotina através de colonoscopia. Mas afinal a doença chama-se Diverticulite ou Diverticulose?

A Diverticulose é a presença de divertículos no colon, predomina no sigmoide (perto do reto) e geralmente acontece em populações com baixo consumo de fibras. A alimentação rica em carboidratos ou proteínas forma menor quantidade de bolo fecal, aumenta a pressão dentro dos colons e propicia o surgimento dos divertículos onde houver fragilidade da parede intestinal. O envelhecimento também contribui, pois há perda da elasticidade natural da parede.Grande parte da população acima de 60 anos apresenta Diverticulose assintomática ou com poucas queixas e muito inespecíficas:

– Dor leve ou desconforto abdominal, principalmente do lado esquerdo (sigmoide),

– Distensão (estufamento),

– Flatulência (gases),

– Alteração do hábito intestinal (constipação ou diarréia).

A Diverticulose quando não tratada ou acompanhada de forma correta pode trazer complicações e levar a hospitalização e cirurgia.

Diverticulite é uma complicação da Diverticulose que acontece por inflamação dos divertículos desencadeada por resíduos fecais que causam obstrução de sua luz. A Diverticulite pode apresentar complicações graves como infecção, sangramento e até mesmo perfuração de intestino. Se houver perfuração e extravasamento do conteúdo intestinal para a cavidade abdominal ocorre a peritonite. De acordo com a gravidade do quadro o paciente pode apresentar dor intensa, febre, náuseas e vômitos. Assim que o diagnóstico for confirmado inicia-se o tratamento para controle da infecção ou da inflamação e evitar as complicações. Em geral os pacientes respondem bem ao tratamento, porém, alguns necessitam de cirurgia de emergência para drenagem e até mesmo retirada de parte do intestino para evitar maiores complicações.

O tratamento da Diverticulose será definido pelo seu médico de acordo com a evolução do quadro, mas muitas vezes não há necessidade de medicamentos. Pacientes que nunca apresentaram Diverticulite devem seguir dicas nutricionais e de hábitos de vida para manterem-se saudáveis;

– Dieta rica em fibras,

– Atividade física regular,

– Evitar a obesidade,

– Tomar bastante líquido,

É importante procurar imediatamente seu médico de confiança caso apresente algum desses sintomas ou sinais de alerta:

– Dor abdominal intensa,

– Sangramento,

– Constipação ou diarreia,

– Parada da eliminação de gases e fezes,

– Febre e calafrios,

– Mal estar geral.

Alguns pacientes terão mais de uma crise ao longo da vida, portanto consulte seu médico para receber orientação adequada.

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No meio do caminho tinha uma pedra… https://incigap.com.br/no-meio-do-caminho-tinha-uma-pedra/ Fri, 31 Aug 2018 15:08:45 +0000 http://incigap.com.br/?p=414 Há bastante tempo atrás Curitiba viveu a efervescência do UFC, ingressos que se esgotaram rapidamente, debates inflamados, 45.000 pessoas presentes e a possibilidade de ver o astro Anderson Silva . O UFC 198 foi o maior evento desse tipo realizado no país. Há dias do espetáculo uma notícia decepcionante: Anderson Silva estava fora!

Uma colecistite aguda o afastou do octógono. A colecistite é uma inflamação da vesícula decorrente da obstrução do canal biliar. Em 90% dos casos ocorre pela presença de litíase, o chamado cálculo ou pedra na vesícula.”
“A vesícula é um pequeno órgão localizado junto ao fígado e tem como função armazenar a bile. O fígado produz a bile e envia para a vesícula, após a alimentação ela se contrai eliminando a bile na luz do intestino. A função básica da bile é digerir as gorduras e ajudar na absorção de nutrientes como as vitaminas A, D, E e K. Os cálculos se formam quando há um desequilíbrio nos elementos que compõe a bile e 75% deles são formados por colesterol. Muitas vezes os cálculos são assintomáticos, entretanto algumas pessoas sentem dor no lado direito do abdome após a alimentação podendo ser acompanhada por febre, náuseas ou vômitos. Essas crises de dor podem ser repetitivas ou vir de forma súbita como no caso de Anderson Silva. O diagnóstico é feito através de ultrassonografia (ecografia) de abdome.

Alguns fatores aumentam o risco da formação de litíase biliar: Mulheres, acima de 45 anos, sobrepeso, história familiar de litíase, múltiplas gestações e diabetes. O tratamento para a pedra na vesícula é a retirada total do órgão, não adianta remover somente as pedras. Essa cirurgia pode ser feita no método tradicional (cirurgia aberta)ou por laparoscopia. Segundo Dr. Fabiano Elias, Cirurgião do Aparelho Digestivo do Incigap – Instituto de Cirurgia e Gastroenterologia do Paraná, hoje em dia a cirurgia é feita por laparoscopia, salvo em situações clínicas bem específicas que possam contraindicar a cirurgia por vídeo. Entre as vantagens da laparoscopia o Dr. Fabiano cita menos dor no pós-operatório, cicatriz menor e recuperação mais rápida. A maioria dos pacientes tem alta no dia seguinte a cirurgia.

O Dr. Fabiano alerta sobre os riscos de permanecer com as pedras na vesícula. Pode ocorrer inflamação da vesícula biliar (colecistite aguda) e necessidade de cirurgia de emergência. Outra situação preocupante é quando os cálculos tentam sair da vesícula e obstruem via biliar promovendo icterícia (cor amarelada nos olhos e pele) ou ainda em maior gravidade migram para o pâncreas. No pâncreas causam inflamação que dependendo da intensidade pode ser muito grave e com altos índices de mortalidade.

Vamos remover as pedras do seu caminho?

 

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Câncer colorretal: um inimigo silencioso. https://incigap.com.br/cancer-colorretal-um-inimigo-silencioso/ Fri, 31 Aug 2018 12:30:41 +0000 http://incigap.com.br/?p=394 O câncer colorretal (que afeta o  intestino grosso e reto) é um dos mais freqüentes no Brasil, estima-se que em 2018 sejam diagnosticados cerca de 36.360 novos casos. Esses tumores surgem porque algumas células do intestino começam a se desenvolver de forma desordenada. Essa transformação celular é lenta e silenciosa, ou seja, praticamente não causa sintomas. Quando detectados precocemente os tumores podem ser facilmente retirados através de colonoscopia.

Se os tumores são silenciosos como desconfiar da presença deles?

Alguns sinais de alerta devem ser observados: dor abdominal, mudança do hábito intestinal (diarréia ou intestino preso), sensação de que não consegue “esvaziar o intestino” e sangramento retal. Sintomas inespecíficos também podem estar relacionados com câncer colorretal: emagrecimento, cansaço, anemia sem causa definida, etc. A partir de 50 anos todos devem realizar colonoscopia para rastreamento do câncer colorretal, pacientes mais jovens com fatores de risco ou sinais de alerta também devem ser investigados. A colonoscopia é um exame de endoscopia do intestino grosso onde um pequeno aparelho flexível com câmera é introduzido através do reto e permite detectar e tratar grande parte dos pólipos que poderiam transformar-se em tumores. O diagnóstico precoce é fundamental e impacta diretamente no tempo de tratamento e qualidade de vida do paciente. Quando o tratamento por colonoscopia não é mais possível realiza-se quimioterapia, cirurgia para retirada de parte do órgão e eventualmente radioterapia nos tumores de reto. Quando a doença produz metástases (espalha-se para outros órgãos) a chance de sucesso no tratamento diminui Hábitos de vida inadequados estão entre as principais causas de desenvolvimento dos tumores de intestino: dieta pobre em fibras e rica em gorduras e carne vermelha, sedentarismo, abuso de álcool, tabagismo e obesidade. História familiar de câncer de intestino (pais, irmãos ou filhos) com tumor, mulheres que já tiveram tumor de ovário, útero ou mama também aumentam o risco da doença.

Fique alerta! Lembre-se de que a doença apresenta maior chance de cura quando diagnosticada precocemente. Observe os sinais do seu organismo, converse com seu médico para orientá-lo em relação ao início e periodicidade do rastreamento de câncer colorretal.

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Socorro! Parece que engoli um dragão! https://incigap.com.br/socorro-parece-que-engoli-um-dragao/ Fri, 31 Aug 2018 11:57:53 +0000 http://incigap.com.br/?p=391 Sensação de queimação no peito que pode chegar até a garganta é uma condição conhecida como azia ou pirose, e é o principal sintoma na Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). É uma queixa muito comum nos consultórios e assunto frequente entre amigos. Todos conhecemos alguém que sente queimação após alimentar-se, mas você sabe por que isso acontece?

Entre o esôfago e o estômago existe uma válvula que se abre para a passagem dos alimentos e deve fechar-se imediatamente para evitar que o conteúdo gástrico retorne.

Algumas vezes essa válvula apresenta dificuldade em fechar-se causando a DRGE. Quando o ácido do estômago retorna ao esôfago pode causar a sensação de queimação, porém algumas pessoas têm DRGE sem ter azia. A doença pode manifestar-se de forma ampla: dor torácica que simula infarto ou angina, rouquidão, tosse seca, asma, bronquite, etc. A sensação de que a comida permanece na garganta e que está engasgado também é frequente. Em alguns casos o ácido retorna até a boca causando alterações no esmalte dos dentes e gosto ruim. A presença de Hérnia de Hiato, quando parte do estômago está acima do diafragma, pode contribuir com a DRGE, mas sua presença não é obrigatória. Como a sintomatologia muitas vezes não é característica o diagnóstico é feito a partir de história clínica detalhada e exames complementares: Endoscopia Digestiva Alta (EDA), ph-metria de 24 horas, Manometria de esôfago e até mesmo teste terapêutico.

Geralmente se inicia a investigação com Endoscopia, pois ela permite a avaliação da mucosa e diagnóstico de eventuais lesões, como a inflamação do esôfago, a esofagite. E todos os pacientes com DRGE apresentam alterações na Endoscopia?

Não! Até 40% dos pacientes com DRGE têm EDA normal e mesmo assim não se descarta o diagnóstico. A ph-metria é um exame que mede a acidez do esôfago em um período de 24 horas através de uma sonda inserida pelo nariz. Pequenos sensores registram as alterações de ph e o paciente anota todos os sintomas que apresentar durante o exame. A Manometria avalia a função motora do esôfago, como ele se movimenta, e associado a ph-metria permite maior conhecimento do refluxo, principalmente em manifestações atípicas (respiratórias) e pré-operatório.

Muitos fatores contribuem para o aparecimento de DRGE, entre eles podemos

Obesidade

Tabagismo

Ingestão de bebidas alcoólicas

Bebidas com cafeína (café, chá preto, chá mate)

Alimentos gordurosos

Bebidas com gás

Chocolate

Abuso alimentar (quantidade)

Deitar-se logo após as refeições

O tratamento para o Refluxo pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico engloba medidas comportamentais (mudança de hábitos) e medicamentos que diminuem a produção de ácido e melhoram o funcionamento do esôfago. A conscientização da necessidade de mudança de hábitos é fundamental para o sucesso do tratamento. É evidente que alguns hábitos são mais difíceis de mudar e esse processo pode levar tempo exigindo disciplina e determinação. Quando os pacientes se tornam dependentes da medicação mesmo com mudanças de comportamento o tratamento cirúrgico pode ser uma opção.

Você não precisa conviver com esse dragão! Procure seu gastroenterologista, ele poderá orientá-lo adequadamente melhorando sua qualidade de vida.

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Síndrome do intestino irritável https://incigap.com.br/sindrome-do-intestino-irritavel/ Thu, 14 Dec 2017 00:07:46 +0000 http://incigap.com.br/?p=223 Dor, desconforto e distensão abdominal são sintomas comuns em pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII). Temos um ótimo caso de paciente com SII na comédia romântica “Quero ficar com Polly”. No filme Ben Stiller passa o maior sufoco pelos hábitos alimentares e vida desregrada da Jennifer Aniston. Ele é um exemplo típico: urgência evacuatória, diarreia, desespero por um banheiro e gases, muitos gases! Mas a SII é sempre assim? Não! A diversidade de sintomas é bastante frequente o que pode muitas vezes dificultar o diagnóstico.
A SII é uma doença funcional, ou seja, há uma alteração do funcionamento do intestino que não pode ser detectada por exames. O paciente apresenta uma sensibilidade exacerbada a situações normais que pode ser desencadeada por determinados alimentos ou situações de estresse ou ansiedade. A SII é muito comum, atinge cerca de 10-15% da população mundial com predomínio em mulheres entre 25-50 anos. Evolui de forma crônica e recorrente e os sintomas apresentam intensidade variada e podem interferir na vida social e até mesmo acarretar problemas psicológicos.
A característica da SII é dor ou desconforto abdominal associado à alteração do hábito intestinal, pode ocorrer diarreia, constipação (intestino preso) ou alternância entre diarreia e constipação. Em geral a dor ou o desconforto são minimizados após a evacuação ou eliminação de gases. É importante salientar que os sintomas são desconfortáveis, porém a SII não evolui para doença mais grave. O diagnóstico é feito através da história clínica e exame físico, já que nenhum método diagnóstico comprova a SII. Os exames complementares (sangue, fezes, Endoscopia Digestiva, Colonoscopia, etc.) são úteis para se descartar outras patologias que possam apresentar clínica semelhante.
O tratamento tem maior índice de sucesso quando o paciente entende sua doença e passa a identificar quais os fatores desencadeantes. O bom relacionamento médico-paciente é fundamental e a abordagem inicial visa reduzir o estresse, oferecer apoio psicológico e dirimir as dúvidas em relação à doença. As orientações dietéticas devem ser individualizadas, evitando os alimentos que possam desencadear os sintomas. Existem muitas possibilidades de tratamento medicamentoso e deve-se considerar a intensidade, frequência dos sintomas e quais deles predominam (diarreia, dor, constipação, etc.). A eficácia dos medicamentos é variável de indivíduo para indivíduo e, portanto o acompanhamento clínico é tão importante após a prescrição. Muitas vezes os sintomas são negligenciados pelos pacientes e a SII demora a ser diagnosticada. Não deixe que a SII altere sua qualidade de vida, procure seu gastroenterologista!

por Danielle Kiatkoski

 

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Hemorroidas. Chega de preconceito! https://incigap.com.br/hemorroidas-chega-de-preconceito/ Sun, 03 Dec 2017 20:15:07 +0000 http://incigap.com.br/?p=136 Hemorroidas são um problema muito comum e queixa frequente nos consultórios. Estima-se que uma em cada três pessoas irá apresentar hemorroidas ao longo da vida, atinge tanto homens quanto mulheres, principalmente entre a quarta e quinta década de vida. Muitas vezes o paciente procura seu médico clínico de confiança, ginecologista, etc, mas qual a especialidade mais indicada afinal? Quando houver sangramento retal sempre pensar em hemorroidas? Quando procurar o coloproctologista? Preconceito, alguns mitos e várias dúvidas cercam esse assunto. Segundo Dr. André Gatto, Coloproctologista do Incigap – Instituto de Cirurgia e Gastroenterologia do Paraná, muitos pacientes não procuram médico por sentirem-se constrangidos postergando o diagnóstico e o tratamento.

O Dr. André explica que o canal anal (parte interna do ânus) apresenta uma vasta rede de vasos sanguíneos que servem para auxiliar na continência fecal (evitar que as fezes escapem), proteção e sustentação do canal anal. A doença hemorroidária acontece quando há dilatação dessas veias causando sintomas e pode ser dividida em internas e externas. As hemorroidas internas estão localizadas no canal anal, podem aumentar de tamanho com o passar do tempo e causar sintomas como sangramento e prolapso (quando “saem”através do ânus). As externas ficam na margem externa do ânus, podem ser percebidas durante a higiene e podem causar até mesmo trombose hemorroidária.

Embora não haja uma causa definida, alguns fatores contribuem para o surgimento das hemorroidas: idade, intestino preso ou diarreia, gravidez, hereditariedade, muito esforço para evacuar e longos períodos no vaso sanitário.

Alguns portadores de Doença Hemorroidária podem permanecer assintomáticos por longos períodos, porém, quando apresentam sintomas devem investigados e tratados. Os sintomas mais comuns são:

  • Sangramento vivo nas fezes que é percebido no papel ou no vaso sanitário;
  • Dor anal nas hemorroidas externas associadas à inflamação ou trombose.
  • Ardência ou prurido (coceira)
  • Prolapso que acontece quando as hemorroidas incham e exteriorizam-se.

A Doença Hemorroidária pode ser prevenida, Dr. André Gatto ressalta que a melhor forma evitar o surgimento da doença hemorroidária é a alimentação saudável e rica em fibras. O funcionamento adequado do intestino é fundamental para que não haja esforço excessivo, lembrar de incluir na alimentação frutas, verduras, legumes, alimentos integrais e sempre muito líquido.

 

Alguns cuidados locais também são importantes: lavar a região anal após as evacuações, evitar o uso de papel higiênico, usar roupas íntimas de algodão, banhos de assento com água morna.

Porém, algumas vezes somente essas medidas não são suficientes e precisa-se lançar mão de alguns medicamentos. Dr. André alerta para o perigo da automedicação e reafirma que um profissional da área deve ser consultado, pois a medicação só deve ser prescrita após exame proctológico.

 

A cirurgia raramente é necessária, entretanto hemorroidas grandes com sintomas persistentes podem ter indicação cirúrgica. A cirurgia tem alta taxa de resolutividade e seu maior inconveniente é a dor e desconforto pós-operatório que pode durar até 10 dias após o procedimento e tem intensidade variável para cada paciente.

Outra forma de tratamento para a doença hemorroidária é a ligadura elástica com anéis de silicone. É um procedimento simples, seguro e eficaz com recuperação rápida e com menos desconforto. A ligadura elástica consiste na aplicação de um elástico na região acima dos mamilos hemorroidários (área menos sensível para dor), causando assim, a necrose do tecido ligado. É considerado um método minimamente invasivo para o tratamento da doença hemorroidária e apresenta vantagens em relação à cirurgia, tais como: método simples de realizar, não necessita o uso de anestesia e não necessita internamento. Ela reduz em até 80% as chances de necessitar de uma cirurgia futura e o índice de satisfação dos pacientes é em torno de 90% com melhora do prolapso e do sangramento.

É importante salientar que nem todo sangramento retal é causados por hemorroidas, o câncer colorretal é silencioso e muitas vezes seus sinais de alerta são ignorados. Se você apresentar algum desses sintomas procure um proctologista!

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